A presidente da Câmara Municipal de Coari, vereadora Jeany Pinheiro, assumiu temporariamente, nesta quinta-feira (17), o cargo de prefeita do município após o afastamento do irmão, Adail Pinheiro, determinado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Jeany era a segunda na linha sucessória e assumiu a prefeitura após o vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, sobrinho dela e filho de Adail Pinheiro, comunicar seu afastamento das funções no Poder Executivo para fins de desincompatibilização e candidatura ao cargo de deputado estadual.
A decisão de Moraes e o comunicado de Emanoel foram lidos durante sessão extraordinária da Câmara de Coari na noite desta quinta-feira. Na ocasião, os vereadores empossaram Jeany para o exercício temporário do Poder Executivo municipal.
Com a saída temporária de Jeany da presidência da Câmara, o 1º vice-presidente da Casa, vereador Orleilson de Oliveira Lima, assumiu o comando do Legislativo municipal. A Câmara também empossou o vereador Mário Jorge Lima dos Santos.
De acordo com a ata da sessão, Jeany irá “exercer temporariamente as atribuições inerentes à Chefia do Poder Executivo Municipal, enquanto perdurar o impedimento do Prefeito e do Vice-Prefeito, ou até que sobrevenha determinação legal ou judicial em sentido diverso”.
O vice-prefeito Emanoel Pinheiro informou que retornará ao cargo no dia 5 de outubro, após o primeiro turno das eleições.
Adail Pinheiro foi afastado do cargo no âmbito de um inquérito que tramita em segredo de justiça e no qual ele e o filho, o deputado federal Adail Filho (MDB), são suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Por ordem de Moraes, a Polícia Federal cumpriu, na quarta-feira (16), 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. A ação foi batizada de “Operação Dinastia do Lago”, em referência à permanência da família no poder.
A Polícia Federal informou que apura a possível atuação de uma organização criminosa envolvida em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari.
A investigação teve início após a apreensão de cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, transportados pelos empresários amazonenses Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho em voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
Em abril deste ano, ao determinar a abertura do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Federal havia identificado repasses financeiros feitos por empresas do trio a Adail Filho e Adail Pinheiro.
Ainda de acordo com Moraes, a investigação indicou que as empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari e “teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios”.
Moraes também mencionou que Adail Filho destinou “vultosos recursos públicos” ao município, nos anos de 2024 e 2025, por meio de emendas parlamentares.




