A pesquisa presidencial RealTime Big Data, divulgada nesta terça-feira (1º/9), traz um dado que foge do eixo tradicional da corrida entre Lula e Flávio Bolsonaro: quando o assunto é representatividade, o principal concorrente dos dois não é nenhum candidato específico. É a ausência de um.
O levantamento fez três perguntas distintas sobre o quanto os candidatos representam o eleitor, e em todas elas a opção “nenhum” aparece na liderança ou empatada na primeira posição.
Em três perguntas, “nenhum” vence
Ao perguntar qual candidato mais representa pessoas como o entrevistado, Lula aparece com 26%, exatamente empatado com a opção “nenhum”, também em 26%. Flávio Bolsonaro vem atrás, com 16%.
A diferença fica maior quando a pergunta é sobre quem mais entende os problemas da própria família do entrevistado. Nesse caso, “nenhum” dispara para 38%, mais do que o dobro dos 26% obtidos por Lula, que segue como o candidato mais citado, e bem à frente dos 14% de Flávio Bolsonaro.
O padrão se repete numa terceira pergunta, sobre qual candidato mais representa o Brasil que o entrevistado gostaria que existisse daqui a dez anos. Novamente “nenhum” lidera, com 27%, à frente de Lula (17%) e Flávio Bolsonaro (13%).
Nas três perguntas, portanto, nenhum dos candidatos consegue superar a rejeição coletiva à ideia de que exista, entre eles, alguém que de fato represente o eleitor brasileiro.
“Confiança do eleitor”
A pesquisa também perguntou a cada eleitor por que vota no candidato escolhido, e o contraste entre as duas principais candidaturas ajuda a entender esse cenário de baixa representatividade.
Entre os eleitores de Lula, o motivo mais citado é claro: 35% dizem votar nele porque gostam do candidato. Apenas 1% justifica o voto pelo apoio de uma liderança política em que confia.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o padrão se inverte quase por completo. Só 7% dizem votar nele porque gostam do candidato, o menor índice entre as opções apresentadas. Em compensação, 33% afirmam votar nele por apoio de uma liderança política em que confiam, a resposta mais citada nesse grupo.
Como a pergunta não identifica nominalmente qual liderança seria essa, a pesquisa não permite atribuir esse apoio a uma pessoa específica. Ainda assim, o resultado mostra que o voto em Flávio Bolsonaro parece se apoiar menos na identificação direta com o próprio candidato e mais em uma referência política externa a ele, um padrão bem diferente do observado entre os eleitores de Lula.
A combinação dos dois achados reforça um mesmo diagnóstico: mesmo entre quem já decidiu seu voto, a conexão direta entre eleitor e candidato aparece frágil, seja pela força do “nenhum” nas perguntas sobre representação, seja pelo peso de uma liderança externa na decisão de parte do eleitorado de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa RealTime Big Data foi realizada por telefone, com entrevistadores humanos, entre 27 e 31 de agosto de 2026, com 2.000 entrevistas em todo o território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%, e o levantamento está registrado sob o número BR-03490/2026.









