Na Aleam, Wilson Lima anuncia medidas para enfrentar crise e colocar o Amazonas no caminho do desenvolvimento

O governador do Amazonas, Wilson Lima, fez, nesta terça-feira (05/02), a leitura da Mensagem Governamental Anual que marca a abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Na ocasião, reafirmou que a crise financeira do Estado, com déficit e dívidas que somam cerca de R$ 3 bilhões, é maior do que o previsto inicialmente, e anunciou medidas para buscar o equilíbrio e o desenvolvimento. Entre as medidas estão melhoria da qualidade dos gastos, repactuação de contratos, redução de custos tributários, incentivo ao pequeno e médio empreendedor e uma reforma administrativa.

“É gravíssima a crise financeira porque passa nosso estado. A maior de todos os tempos e ouso dizer, sem medo de estar errado, fruto de completa falta de planejamento e total e absoluto desrespeito com o dinheiro público”, afirmou o governador em discurso no plenário da Aleam. Wilson Lima destacou, ainda, que do rombo de mais de R$ 3 bilhões nas contas do Estado, R$ 1,1 bilhão são na área da saúde. Há ainda, segundo o governador, o aumento dos gastos com pessoal, que entre 2010 e 2017, subiram 91%, enquanto a receita só aumentou 61%.

“Desse jeito a conta não fecha. Para complicar ainda mais as finanças, em 2018 foram concedidos aumentos e reposições salariais, vários deles escalonados, que geram um impacto nas contas desse ano e do ano que vem. Também foram contratados e convocados novos servidores classificados em concurso, gerando mais de R$ 30 milhões de impacto na folha de pagamento”, afirmou, ao ressaltar que reconhece a situação grave das contas públicas e que é compromisso de governo buscar maior equilíbrio e recolocar o estado no caminho do desenvolvimento.

“Fui eleito para, junto com uma equipe técnica, mudar o caminho pelo qual o Amazonas vinha seguindo. As mudanças não acontecem do dia para noite, não é simples mudar o status quo, tirar alguns viciados da zona de conforto. Eu e minha equipe estamos trabalhando incansavelmente para entregar um Estado melhor e assim vai ser”, frisou.

Economia e administração – Entre as medidas anunciadas pelo governador Wilson Lima estão a otimização da receita, com a desburocratização de processos, desenvolvimento de mecanismos fiscais de incentivo ao pequeno e médio produtor, e revisão da política tributária e de incentivos fiscais com foco na segurança jurídica e atração de investimentos, principalmente voltados à indústria de fármacos e cosméticos, produção de óleo e gás natural, piscicultura, ao agronegócio, à mineração, ao extrativismo e à indústria criativa.

Na gestão pública, a meta é melhorar a qualidade dos gastos. “Vamos regularizar os contratos fazendo licitações; repactuar os contratos vigentes; auditar dívidas com fornecedores; restringir aquisições de bens e contratações de serviços através de processos não competitivos como dispensas de licitação”, afirmou, ao adiantar que fará uma reforma administrativa para modernizar procedimentos do governo, visando diminuir gastos e aumentar a eficiência.

“Meus amigos, a reforma que vamos fazer não é aquela reforma no papel. É uma reforma séria e profunda. O Estado precisa avançar, não pode continuar no passado. Digital é a forma como o mundo se comunica. E é assim que temos que fazer. E quando a gente faz isso diminuímos gastos e tornamos o Estado mais eficiente”, acentuou.

Saúde – Wilson Lima voltou a denunciar, em seu discurso, o descaso com que governos passados trataram a aplicação dos recursos da área da saúde. “Nos últimos quatro anos, observem bem, este foi o estado brasileiro que mais investiu na saúde. A lei determina que sejam feitos investimentos de 12% da Receita Corrente Líquida e a média repassada anualmente no período foi de 20%. Mas infelizmente esse investimento não se reverteu em qualidade de serviço ao cidadão do Amazonas. Nossa equipe de trabalho constatou que não há controle sobre a execução do orçamento; as bases de dados precisam de atualização e correção de informações; a rede de serviços é grande e onerosa”, afirmou.

O governador expôs, ainda, a falta de controle na contratação, execução e pagamentos de contratos com prestadores de serviços da saúde e fornecedores do setor. “Em números absolutos, dos mais de 1.500 serviços terceirizados prestados à Susam, menos de 500 possuem contratos. Ou seja, foi só apalavrado. E o pior: mais de 90% dos contratos com equipes terceirizadas não têm suas metas batidas e nem apresentam indicadores dos serviços prestados. Ou seja: é dinheiro público, fruto dos impostos pagos por cidadãos amazonenses, utilizado sem qualquer cuidado, responsabilidade ou compromisso”, destacou.

Wilson Lima reafirmou o compromisso do Governo em cumprir com pagamentos de despesas correntes da área da saúde e também de acordar a quitação por serviços prestados em administrações passadas. Ele conclamou os deputados e deputadas da ALE-AM a, juntos, buscarem uma solução para sanar a crise na área da saúde.

“Eu apelo aqui à sensibilidade dos nobres deputados e deputadas para que nos ajudem a encontrar caminhos para sanar os débitos da saúde. O mês de janeiro vai ser pago integralmente para os profissionais da saúde e para os fornecedores, não esquecendo das dívidas herdadas de gestões passadas, não podemos olhar para frente sem revolver o passado e é minha prioridade e eu vou organizar isso, contando com a participação do TCE para fazer um termo de ajustamento de gestão. Os prestadores de serviço, vale ressaltar, cumprem seus papeis e não é justo que continuem a ser penalizados e trabalhadores continuem sendo humilhados”, ressaltou o governador.

Foto: Divulgação

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