O rio Purus, um dos principais cursos do Estado e importante afluente do rio Solimões, experimenta neste início de fevereiro uma cheia antecipada que começa a afetar profundamente municípios e rotas de transporte no sul do Amazonas. Com aproximadamente 3.200 km de extensão e percorrendo vastas áreas de floresta tropical até desaguar na calha do Solimões, o Purus tem papel estratégico na ecologia e economia regional.
Segundo dados de monitoramento hidrológico, o nível do Purus subiu rapidamente nas últimas semanas em vários pontos de medição, superando em vários metros as cotas observadas no mesmo período do ano anterior e surpreendendo técnicos e moradores. Neste domingo (1º/2), o rio estava na cota de 15,21m. Em Lábrea, contudo, as últimas medições mostram o nível atingindo 20,63 metros, ainda abaixo da cota máxima histórica, mas com pouco espaço antes do transbordamento.
A bacia do Purus banha diretamente pelo menos seis municípios amazonenses: Canutama, Pauini, Boca do Acre, Tapauá, Lábrea e Beruri, onde ele desemboca no Solimões. Todos estes municípios estão integrados à chamada Calha do Purus e historicamente vulneráveis a variações bruscas no nível do rio.
Isolamento de Lábrea em foco
A elevação das águas já provocou a interdição da ponte sobre o rio Umari na rodovia BR-230 (Transamazônica), único acesso terrestre a Lábrea, efetivamente isolando o município para tráfego de veículos. Com isso, a chegada de alimentos, medicamentos e combustíveis está comprometida, agravando o risco de desabastecimento para uma população que depende da estrada para o escoamento de produtos e entrada de insumos básicos.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmou que a ponte será liberada somente quando o nível do rio recuar e uma vistoria técnica no local for concluída. Conforme relato dos ribeirinhos, as águas do Umari passam por cima do leito da ponte em pelo menos 20 centímetros.
Além do impacto logístico, muitos moradores ribeirinhos relatam a antecipação de inundações em áreas baixas e o aumento de dificuldades para transporte fluvial local, pesca e atividades agrícolas de subsistência.
Efeito dominó no rio Solimões
O rio Purus é um tributário direto do Solimões, que se torna o rio Amazonas após o encontro com o Negro em Manaus. A cheia antecipada no Purus chega no momento em que o Solimões também apresenta níveis elevados em boa parte de sua calha, com impactos em municípios ribeirinhos do Médio Amazonas, onde enchentes vêm causando alagamentos, isolamento de comunidades e dificuldades de locomoção e produção rural.
Especialistas apontam que o aumento dos níveis no Purus pode ter um efeito acumulativo sobre o Solimões nas semanas seguintes, reforçando a pressão sobre margens de cidades mais abaixo na bacia e potencializando os impactos de cheias em áreas já vulneráveis, como o município de Anamã, tradicionalmente o mais afetado em anos de grandes cheias, e Manaquiri, na Região Metropolitana de Manaus. Além disso, a cheia antecipada coincide com a fase mais intensa da estação chuvosa na Amazônia, elevando o risco de alagamentos prolongados se os volumes de chuva permanecerem acima da média.
Fonte; Onda digital






