O coronel Francisco Máximo, secretário da Defesa Civil do Amazonas, afirmou que há a possibilidade da estiagem prevista para o segundo semestre de 2026 se assemelhar “muito ao ano de 2023”, quando o rio Negro atingiu níveis historicamente baixos pela primeira vez, chegando a 12,70 metros em Manaus, o menor nível até então.
Embora ainda não haja números absolutos, apenas previsões, o secretário informou também que existem grandes chances da estiagem de 2027 se aproximar da de 2024, a pior seca da história do Amazonas. A fala ocorreu na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), onde o coronel Máximo apontou o cenário a empresários para que se preparassem para a estiagem.
Em sua apresentação, o secretário relembrou outra preocupação: o fenômeno meteorológico El Niño, que provoca secas no norte do Brasil e chuvas excessivas na parte sul do país. Essas preocupações se traduzem no baixo índice de chuvas nas regiões das cabeceiras dos rios, levando ao prognóstico de uma estiagem forte para o segundo semestre.
Na última sexta-feira (17), o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) divulgou uma nota apontando que há 90% de chance de o El Niño estar ativo entre agosto e outubro, além de haver uma probabilidade de 50% de ser um fenômeno intenso.
Planejamento
O diretor-presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, ressaltou que o período da estiagem é extremamente grave para o comércio pelo aumento dos custos, demora no recebimento de mercadorias e aumento do prejuízo para o setor.
“O comércio recolhe impostos antes de botar a mão na mercadoria e antes de vende-la. Então, eu preciso desse depoimento técnico-científico alertando essa possibilidade de estiagem e, acima de tudo, me permitindo que eu tenha um respaldo para convocar todos os empresários do nosso segmento para programar e planejar as usas compras para não cair no fosso da estiagem”, ressaltou.
Com as informações apresentadas pela Defesa Civil, o presidente da Fecomércio afirmou que os empresários do ramo precisarão organizar e planejar suas compras com antecedência. Ele lembra que, na última edição da estiagem, mercadorias que normalmente levavam 30 a 35 dias para chegar passaram a demorar 150 dias.
Presente na reunião, o deputado federal João Carlos (Republicanos) frisou que a questão da estiagem não afetava apenas a economia, mas principalmente a população que vive do comércio e acaba impactada pela seca dos rios. Com as informações apresentadas pela Defesa Civil, o parlamentar afirmou que é possível direcionar melhor as ações dos governos federal, estadual e municipal diante do prognóstico da seca.




