Empresa australiana firma parceria internacional para explorar terras raras no sul do Amazonas

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A empresa australiana Brazilian Critical Minerals, que pretende explorar terras raras no sul do Amazonas, fez um acordo de cooperação com a gigante asiática Southern Alliance Mining (SAM), que atua na Malásia, para avaliação de operação conjunta entre as empresas, incluindo a venda dos elementos amazonenses.

O anúncio foi feito no domingo (19) a investidores, em meio ao processo de licenciamento do campo de exploração de terras raras, em andamento no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). No país, a Brazilian Critical Minerals opera com a subsidiária BBX do Brasil, estabelecida em Apuí, a mais de 1,4 mil quilômetros de Manaus.

 Termos

 Segundo o anúncio, o acordo também prevê avaliação de oportunidades comerciais conjuntas, incluindo vendas de produtos; avaliação de potenciais parcerias estratégicas, estruturas de joint venture (empreendimento conjunto) ou cooperação em projetos; identificação de sinergias operacionais, financeiras ou técnicas.

“Este anúncio expressa nossas ambições conjuntas de desenvolver e liderar operações de lixiviação in-situ (ISR) de classe mundial através de uma parceria de longo prazo na produção de produtos de terras-raras com os projetos de CAPEX [despesa de capital] mais baixos do mundo, operando na extremidade inferior da curva de custos”, afirmou o diretor-presidente da Brazilian Critical Minerals, Andrew Reid.

O método de lixiviação in-situ (ISR) utilizado pela SAM na Ásia é o mesmo que a empresa australiana pretende aplicar no Amazonas. É caracterizado pela injeção de soluções químicas através de poços, dissolvendo o minério debaixo da terra. A solução carregada é bombeada para a superfície, eliminando escavações e rejeitos.

“Ao combinar nossas capacidades, podemos potencialmente operar de maneira mais eficiente e levar produtos de terras raras ao mercado de forma mais eficaz. A indústria precisa de operadores experientes que possam colaborar para atender à crescente demanda mundial por materiais críticos”, disse o diretor-presidente da SAM, Dato’ Sri Pek Kok Sam.

A SAM é uma empresa de capital aberto na Bolsa de Valores de Singapura e possui uma participação de 40% na MCRE Resources Sdn Bhd, operadora do projeto de terras raras Pioneer. A mina está localizada no estado de Perak, cerca de 280 km a noroeste de Kuala Lumpur, a capital da Malásia, e a cerca de 30 km da fronteira com a Tailândia.

A MCRE exportou seu primeiro lote de carbonato de terras raras em fevereiro de 2023. Mais de dois anos depois , em agosto de 2025, a empresa já havia extraído 20,4 mil toneladas dos minerais e vendido 20,2 mil deles.

 Exploração no Amazonas

 Iniciou em fevereiro deste ano o processo de licenciamento para que a mineradora BBX do Brasil exporte terras raras encontradas em Apuí.

Projeto de Apuí está em fase de licenciamento no Ipaam

Projeto de Apuí está em fase de licenciamento no Ipaam

 A operação tem início previsto para 2027 e expectativa de, pelo menos cinco anos depois, planejar um processo de refino em Manaus. O investimento inicial é previsto em R$ 200 milhões. Há conversas para compradores nos Estados Unidos, China, França e Espanha.

A expectativa é que a fase de obras na implantação do projeto gere em torno de 500 empregos diretos. Durante a execução do empreendimento, a estimativa é de 200 empregos diretos e outros mil indiretos.

A empresa também estima um faturamento de R$ 400 milhões por ano e R$ 8 milhões em impostos para a cidade de Apuí, valor que representa cerca de 10% da receita do município para 2025, de R$ 77,7 milhões.

 Ocorrências

 As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a “indústria do futuro”. Elas estão presentes tanto na produção civil, em televisores, celulares e tecnologias de energia renovável, quanto em equipamentos militares, como drones e radares.

Uma nota técnica da Secretaria Executiva de Mineração do governo do Amazonas (Semig), produzida em julho de 2025, coloca o Amazonas como o segundo estado brasileiro com mais reservas de terras raras identificadas, atrás apenas de Minas Gerais. Além de Apuí, há ocorrências conhecidas ou estimadas nos municípios de Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira.

O Sumário Mineral 2024, produzido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), do governo federal, coloca o Brasil como o quarto maior detentor dos minérios no mundo, com 11,4 milhões de toneladas, atrás de China (44 milhões), Vietnã (22 milhões) e Rússia (10 milhões). Estimativas de outras fontes citam o Brasil na segunda posição com reservas prováveis de terras raras.

*Com informações Acritica

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