A Policlínica Codajás, unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), realizou entre os dias 26 e 29 de janeiro uma programação especial em alusão ao Mês da Visibilidade Trans, com ações educativas, culturais e institucionais voltadas aos cuidados integrais e ao enfrentamento da transfobia nos serviços de saúde.
Entre os destaques da semana estiveram as Blitz da Visibilidade Trans e atividades itinerantes nos setores da unidade, com orientações para usuários e trabalhadores sobre fluxos de atendimento e acesso aos serviços.
A programação foi encerrada nesta quinta-feira (29), data que marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans, com a participação de mulheres trans, travestis, amigos e colaboradores da unidade. O evento foi marcado por diálogos sensíveis e reflexões sobre inclusão, acolhimento e respeito.
“Meu segundo dia de gestão aqui na Policlínica Codajás foi uma missão para mim: conhecer e continuar esse trabalho da dra. Dária Neves. Falar desse trabalho é muito significativo, pois temos esse propósito juntos e vamos continuar em nome da nossa precursora, Dária Neves. Isso é uma obrigação nossa: acolher e tratar com respeito e dignidade todos que estão aqui. Contem sempre comigo, minha sala está de portas abertas para acolher todos vocês”, disse o diretor da unidade.

Para a coordenadora do ambulatório, Daniela Dantas, acolher e humanizar fazem parte de todo o processo do setor. Atualmente, a unidade conta com uma equipe multidisciplinar preparada para atender a todos.
“Então, entre os profissionais, nós dispomos de uma equipe de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais; temos também médicos, ginecologistas e endocrinologistas, além do suporte da cirurgia plástica por meio do Dr. Sérgio e dos técnicos. Nesse serviço, a gente orienta acerca das questões relacionadas à identificação da identidade e faz o acolhimento”, destaca Daniela.

Palestras, ações e acolhimento
Durante a roda de conversa, foram debatidos temas como inclusão, respeito e direitos, com a participação das travestis Mariellen Kuma, produtora cultural, e Aritana Tibira, escritora, que falaram sobre seus trabalhos e a importância do evento.
“Principalmente pensar que as vivências trans muitas vezes não têm portas abertas para elas. Então movimentações como essa, em espaços como estes, são importantes para dar protagonismo para a gente, não só chamando atenção para hoje, que é o Dia da Visibilidade Trans, mas também para outras questões. Hoje, na mesa, tivemos pessoas da arte, da academia e da pesquisa acadêmica, e pudemos discutir vivências trans, literatura e teatro, porque nossos corpos estão em todos esses espaços também”, disse Aritana Barbosa.

“Como artista, eu trabalho com teatro e cinema, e estar aqui, ser vista, e poder ser exemplo mostra que outras pessoas trans estão vencendo e fazendo novelas e teatros. Para mim, é muito importante ter esse diálogo aberto com a nossa família. Todos merecem acolhimento, ser aceitos nas escolas, na rua, em todos os lugares. Com o passar do tempo, eu também descobri que sou autista, aos 41 anos, e foi um diagnóstico tardio. Isso me influenciou um pouco nas minhas relações pessoais, mas busquei compreender, venci e estou aqui para contar toda essa minha história”, pontua Mariellen Kuma.

Inclusão que também começa dentro da unidade
O compromisso da Policlínica Codajás e da SES-AM é com o respeito e a inclusão que se reflete no cuidado com seus próprios colaboradores. É o caso da estagiária do setor administrativo, Ágata Assis, que destacou o acolhimento recebido desde sua chegada.
“Minha chegada aqui foi em 2025, quando fui selecionada para fazer parte do setor de Recursos Humanos. Lá, o dr. Thiago, diretor da Policlínica, me encaminhou para o setor de ginecologia para que eu pudesse representar o Ambulatório de Diversidade Sexual e Gênero para os pacientes e acolhidos, para que, quando chegassem, vissem essa representatividade. Aqui sou muito bem recebida e respeitada, há diálogo e capacitação, e eu tenho orgulho de trabalhar nessa unidade que tanto me acolheu”, destaca Ágata.

Sobre o ambulatório
O Ambulatório de Diversidade Sexual e Gêneros da Policlínica Codajás existe há cinco anos e funciona nas dependências da unidade de saúde. Os serviços seguem o fluxo do processo transexualizador e contam com equipe formada por enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, médicos, ginecologistas, endocrinologistas, além do suporte da cirurgia Plástica por meio do Dr. Sérgio e técnicos.
No setor, os usuários recebem orientações sobre identidade, acolhimento psicológico e atendimento clínico, além de acompanhamento relacionado à hormonização, suporte para adesão a programas sociais e orientações sobre alteração e retificação do nome social.
O ambulatório também oferta o serviço de PrEP, uma medicação antirretroviral de prevenção ao HIV, dedicada à população trans, reforçando o compromisso da unidade com a promoção da saúde integral.












