Representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) se reuniram na quarta-feira (21/10) com autoridades do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), em Atalaia do Norte, para confirmar que o transporte fluvial de eleitores indígenas está totalmente regularizado para o segundo turno das Eleições 2026.
Durante o encontro, na Câmara Municipal, o presidente da entidade, Jaime da Silva Mayuruna, explicou que, após ajustes com o Cartório Eleitoral, a articulação garantiu o combustível necessário para o deslocamento nas aldeias de todas as calhas de rios da região. As lideranças também esclareceram que a população indígena votou normalmente no primeiro turno, com índices de abstenção semelhantes aos da área urbana.
Entidade entrega ofício de retratação
A reunião ocorreu depois de um documento emitido pela Procuradoria Jurídica da Univaja gerar repercussão na imprensa. A Coordenação Executiva da entidade entregou à juíza da 42ª Zona Eleitoral, Dálethe Borges Messias, um ofício de retratação formal.
No documento, a direção classificou a manifestação anterior como “conduta isolada e de patente insubordinação administrativa” e afirmou que o texto não passou pelos trâmites internos de aprovação. A Univaja informou ainda que abriu procedimento administrativo interno para apurar a responsabilidade do profissional envolvido e reiterou respeito à magistratura e à Justiça Eleitoral.
A polêmica começou após a Justiça Eleitoral negar um pedido de apoio logístico para transportar eleitores de mais de 40 aldeias indígenas do Vale do Javari até os locais de votação no segundo turno. A solicitação incluía transporte fluvial, água potável e alimentação.
A juíza justificou a decisão pelo prazo curto para organizar a operação, pela falta de orçamento específico e pelas dificuldades logísticas. O caso ganhou repercussão após a UNIVAJA divulgar o ofício com críticas e questionamentos à decisão.
Posteriormente, a coordenação executiva da entidade afirmou que não autorizou o documento, pediu desculpas à Justiça Eleitoral e abriu uma apuração interna para investigar a emissão do ofício.
Já na quarta-feira (21), após uma reunião entre instituições e representantes indígenas, a UNIVAJA informou que o combustível necessário ao transporte havia sido garantido.
Justiça Eleitoral destaca acompanhamento no município
A juíza Dálethe Borges Messias ressaltou o empenho da Justiça Eleitoral em Atalaia do Norte e citou o acompanhamento presencial da entrega de urnas em comunidades como Paraíso e Remancinho, além de ações para eleitores com mobilidade reduzida.
Para o pleito deste domingo (25), ficou acordado que as entidades indígenas repassarão ao juízo a relação das embarcações e dos responsáveis pelo transporte. Para as próximas eleições, o tribunal planeja fixar prazos antecipados para o mapeamento de rotas fluviais, a estimativa de eleitores e as condições de navegabilidade, de modo a otimizar a logística na região.




